O Colecionador de Ossos

Por: Jota!

Havia um homem que mantinha uma ambição cega: ele queria enriquecer a qualquer custo. Sua obsessão era tanto que ele começou a colecionar todo tipo de objeto, tomado por uma ilusão de que quanto mais acumulasse, mais rico ficaria. Ele já acordava repetindo para si mesmo: "Se eu conseguir colecionar isso, finalmente ficarei rico de verdade."

A família assistia àquela loucura com preocupação, vendo que a ambição do homem havia passado de todos os limites. Um parente próximo, tentando consolá-los, dizia: "Ainda bem que ele só coleciona coisas e não rouba ninguém."

Certo dia, em sua busca incansável por novos itens, o homem encontrou uma figura estranha sentada à beira da estrada. Era uma criatura de aparência horrível e olhar penetrante. Com uma voz cavernosa, a figura perguntou:

— O que tanto buscais, homem?

— Eu busco a riqueza! — respondeu o obcecado sem hesitar.

A criatura sorriu de forma sinistra e fez uma proposta:

— Vamos fazer um trato. Eu lhe darei toda a riqueza que você sempre sonhou. Em troca, você me dará ossos. Todo dia 5 de cada mês, virei recolher o carregamento. Mas há uma condição rigorosa: você precisa me entregar exatamente 100 quilos de ossos a cada visita. Se falhar uma única vez, tomarei toda a sua riqueza de volta.

O homem não pensou duas vezes. Tomado pela ganância, raciocinou: "Eu já coleciono de tudo, por que não colecionar ossos?" e aceitou o pacto imediatamente.

Da noite para o dia, o homem tornou-se absurdamente rico. Era admirado, bajulado e temido por todos ao seu redor, mas ninguém sabia a verdadeira origem de sua fortuna, pois o acordo era um segredo absoluto. Para manter o pacto, ele passou a percorrer fazendas, matadouros e campos de ponta a ponta, comprando e recolhendo todos os ossos de animais que encontrava.

Durante anos, o acordo funcionou. O homem não questionava a criatura e ela cumpria sua parte, entregando mais ouro e levando os sacos cheios.

Porém, um dia, a curiosidade falou mais alto. Enquanto entregava a carga do mês, o homem perguntou:

— Para que você quer tantos ossos?

A criatura deu uma gargalhada perturbadora e respondeu:

— É a fonte de energia e alimento para a minha família! Mas não se distraia... se você falhar em me entregar os 100 quilos, eu tomo tudo o que é seu.

O tempo passou. Trinta anos se decorreram sob aquele pacto macabro. Cego pela fartura, o homem não percebeu que os ossos daquela região estavam se esgotando. Ficou cada vez mais difícil encontrar material. No mês anterior, ele conseguiu bater a meta com extrema dificuldade, e seu semblante começou a cair. Ele adoeceu de pura ansiedade e desespero, pois sabia que o dia 5 estava chegando e não havia ossos suficientes.

Quando o dia do pagamento chegou, a criatura apareceu. O homem colocou os sacos na balança com as mãos tremendo: apenas 59 quilos.

O ser horrível sorriu com frieza e declarou:

— Trato é trato, e você quebrou a nossa regra.

O homem caiu de joelhos, gritando em desespero:

— Não! Por favor, não vá! Me dê mais uma chance, só mais um mês!

A criatura olhou no fundo dos olhos dele e sentenciou:

— No meu mundo não existem segundas chances. Viva na miséria sem sua riqueza... ou morra, pois só assim eu poderei saborear os seus próprios ossos!

Em um estalo, a criatura desapareceu, levando consigo cada moeda de ouro, as terras e os bens do homem. Ele perdeu tudo instantaneamente e enlouqueceu, passando o resto dos seus dias vagando pelas estradas, catando restos pelo chão.

Para sempre, ficou conhecido por todos na região como O Colecionador de Ossos.

A ambição sem limites e os atalhos para a riqueza sempre cobram um preço alto demais no final. Compartilhe esse conto marcante com seus amigos no WhatsApp e no Facebook!