O Aviso Divino - Parte 2: O Fim do Reino
Enquanto isso, no palácio, o rei oferecia o maior e mais luxuoso banquete que o reino já vira. Havia música alta, taças transbordando vinho e gargalhadas por todos os lados. O soberano e seus nobres continuavam zombando de Norman Dic, celebrando o que chamavam de "a grande farsa do velho caduco".
Porém, exatamente no momento em que a lua cheia atingiu o topo do céu, a terra abaixo do castelo tremeu com uma violência estarrecedora. Um rugido ensurdecedor ecoou do Monte Herimeus. O chão se fendeu ao meio e uma nuvem espessa de fumaça e fogo começou a descer a montanha como uma avalanche incontrolável.
O pânico tomou conta do salão. O riso do rei transformou-se em um pavor paralisante. Vendo a destruição se aproximar, um dos magistrados gritou em puro desespero: "O velho tinha razão! Chamem o velho! Onde está Norman Dic?!"
Outro nobre apontou para a colina: "A árvore! Ele foi para a grande árvore! Lá está a salvação!"
O rei correu desesperadamente em direção à imensa árvore, seguido pelos poucos que tentavam escapar. Quando finalmente alcançou o local, olhou em volta com os olhos arregalados, mas não viu nada. Apenas o tronco e a escuridão. Infelizmente, por causa de sua ganância e orgulho, o portal permaneceu totalmente invisível para eles.
Do outro lado do portal, em uma dimensão segura, os cidadãos que acreditaram na mensagem observavam tudo através de uma tela translúcida. Norman Dic aproximou-se da imagem e, ao ver o rei implorando por socorro segundos antes da cidade sumir, caiu de joelhos e chorou amargamente.
Com a voz embargada pelo choro, o profeta murmurou enquanto a imagem se apagava: "Eles tiveram o aviso... mas a arrogância cega o homem até o seu último segundo."
A porta da salvação está sempre aberta para os humildes, mas torna-se invisível para aqueles que se deixam cegar pelo próprio orgulho.