Era uma vez um homem chamado Gidon, que vivia vagando de cidade em cidade por causa de uma terrível maldição. Ele acreditava fielmente que não podia dormir debaixo de um teto: devia passar as noites ao relento, sob o frio e a chuva. Em sua mente, se ele pisasse dentro de uma casa, algo de muito ruim aconteceria com sua família.
Exausto e caminhando há muito tempo, Gidon chegou a um pequeno povoado. Parou diante de uma humilde residência e pediu ajuda ao morador que estava no quintal: "Senhor, por favor, me dê um copo d'água... Venho de muito longe e estou morrendo de sede."
O dono da casa prontamente atendeu: "Pois não, meu amigo! Aqui está a água. Mas entre, venha almoçar conosco! Sente-se à mesa."
Gidon deu um passo para trás, apavorado, e respondeu: "Eu gostaria muito, senhor... mas não posso! Uma velha me jogou uma maldição terrível..." Com lágrimas nos olhos, o rapaz começou a contar sua triste história. Disse que há anos andava sem rumo pelo mundo, que havia abandonado sua esposa e seus filhos, e que eles nunca entenderam o motivo de sua partida.
O morador, porém, insisted com carinho: "Meu amigo, não se preocupe com isso. Deus é maior do que qualquer maldição! Venha para dentro."
Gidon, fraco pela fome e tremendo de pavor, gritou com todas as suas forças: "Eu não posso!" No segundo seguinte, o corpo de Gidon não aguentou o cansaço e ele caiu desmaiado no chão. Preocupado, o dono da casa o carregou para dentro, colocou-o em uma cama macia, deu-lhe roupas limpas e preparou uma refeição quente.
Ao acordar dentro da residência, Gidon entrou em pânico. Agoniado e inquieto, começou a andar de um lado para o outro: "Eu não devia estar aqui! Você não sabe o mal que trouxe para a sua própria casa!"
O morador aproximou-se devagar e olhou nos olhos do rapaz. Ao encarar aquele rosto com atenção, a mente de Gidon finalmente clareou. O choro preso em sua garganta transbordou: "Pai?! É o senhor mesmo, meu pai?!"
"Sim, meu filho! Sou eu!" — respondeu o homem, abraçando o rapaz com força.
"Mas, pai... e a maldição? E o mal que vai cair sobre esta casa?!" — perguntou Gidon, desesperado.
O pai, segurando os ombros do filho, disse com voz firme e acolhedora: "Meu filho, essa maldição nunca existiu. Foi uma ilusão cruel que colocaram na sua cabeça por pura maldade! Aquela mulher é conhecida por enganar as pessoas, e eu não sei como você deixou aquilo tomar conta da sua mente."
Gidon olhou para as próprias mãos, confuso e desolado: "Mas, pai... e a minha esposa? Meus filhos? A minha vida inteira que eu perdi vagando por anos a fio?!"
O pai olhou para ele com profunda compaixão e explicou: "Meu filho... não se passaram anos. Foram apenas poucas semanas desde que você sumiu. Você não tem esposa, não tem filhos e não perdeu a sua vida. Tudo isso não passou de um pesadelo e de uma ilusão implantada na sua mente."
O pai puxou o rapaz para outro abraço e concluiu: "Nunca dê ouvidos a estranhos que tentam envenenar a sua mente e roubar a sua paz."
Gidon caiu no colo do pai e chorou amargamente, lamentando os dias em que se deixou levar pela mentira, mas aliviado por finalmente estar seguro e de volta para casa.
Cuidado com as palavras que você permite entrarem na sua mente. Nem toda prisão é feita de grades; muitas vezes, a pior prisão é aquela criada por uma mentira em que escolhemos acreditar.
Um jovem pobre que aprendeu o verdadeiro valor da bondade...
O príncipe que desafiou todas as leis por amor...