Era uma vez, em um tempo muito distante, um homem chamado Mardok. Ele trabalhava no campo, levava uma vida simples e era casado com a jovem Ninka, mantendo uma rotina pacífica no seu povoado. No entanto, Mardok possuía uma força e uma coragem fora do comum. Certa vez, usando apenas uma queixada de jumento como arma, ele enfrentou e feriu mais de mil homens, livrando o seu povo de um grande massacre. Esse feito inacreditável chamou a atenção do próprio plano sobrenatural.
Certa dia, enquanto Mardok estava em uma caçada na floresta, duas criaturas celestiais, seres cobertos por um brilho intenso e divino, surgiram subitamente à sua frente.
Mardok, sem demonstrar nenhum medo, encarou os seres e perguntou com firmeza: "O que quereis de mim? O que buscais aqui?"
Os seres luminosos responderam com voz ressonante: "Você foi convocado para uma reunião perante o conselho dos deuses."
"Convocado por quê? O que foi que eu fiz?" — questionou o guerreiro do campo.
"Não se trata de punição, mortal. Nossas ordens são claras: devemos levá-lo imediatamente."
Em seguida, um imenso portal de luz rasgou a realidade e os três atravessaram a fenda. Quando a poeira luminosa baixou, Mardok viu-se sobre uma gigantesca plataforma flutuante no meio do cosmos, cercado por tronos majestosos onde se assentavam seres divinos e magistrados celestiais.
A presença de um simples homem causou burburinho no recinto. Um dos seres no topo exclamou: "O que este humano faz no salão sagrado?!"
Outro deus, de semblante grave, levantou-se e explicou: "Ele é a chave para abrir a porta de Avalom! Por leis ancestrais e regras sagradas, nós, os deuses, estamos proibidos de tocar nos selos de Avalom. A passagem só pode ser aberta por um mortal possuidor de um coração puro e uma força inigualável."
Mardok, ouvindo aquilo, deu um passo à frente, ergueu o queixo e desafiou o conselho: "O que vocês querem de mim? O meu lugar é na terra, ao lado da minha esposa e do meu povo, não aqui! Não tenho nada a ver com seus jogos celestiais. Resolvam vocês mesmos os seus problemas!"
Um dos magistrados divinos, enfurecido com a ousadia do guerreiro, levantou-se do trono e bramou com voz de trovão: "Cala-te, humano insignificante! Você não tem escolha! Se recusar a cumprir esta missão, você, sua esposa Ninka e toda a sua linhagem serão apagados da existência!"
O silêncio tomou conta do salão celestial. Mardok fechou os punhos com força. Ele sabia que podia enfrentar mil homens no campo de batalha, mas contra os deuses, a força física não bastaria. O amor por Ninka e pelo seu povo falou mais alto.
"Se eu abrir a porta de Avalom..." — disse Mardok, encarando o magistrado nos olhos — "vocês juram pela luz divina que deixarão a minha família e o meu mundo em paz para sempre?"
O supremo conselho inclinou a cabeça em sinal de concordância: "O pacto está selado, Mardok."
Guiado até a entrada de Avalom — uma imensa estrutura de pedra negra coberta de runas brilhantes —, Mardok aproximou-se do portal trancado. Ao colocar as mãos sobre o selo antigo, uma energia avassaladora percorreu o seu corpo. Com um rugido de esforço que ecoou por todo o cosmos, o guerreiro empurrou as portas milenares de Avalom, revelando os mistérios que há éons permaneciam ocultos de deuses e homens.
Tendo cumprido a promessa e protegido aqueles que amava, Mardok foi devolvido ao seu lar no campo. Ele retornou para os braços de Ninka, trazendo consigo não apenas o alívio da vitória, mas a marca de ter sido o único mortal a desafiar e negociar com os próprios deuses.
A verdadeira força de um guerreiro não está apenas no poder de seus braços para a batalha, mas no tamanho do amor que o faz proteger aqueles que dependem dele.
Um jovem pobre que aprendeu o verdadeiro valor da bondade...
O príncipe que desafiou todas as leis por amor...