A Reunião das Forças Invisíveis

Por: Jota!

Em uma dimensão oculta além do tempo, seis figuras distintas reuniram-se ao redor de uma grande mesa de pedra para debaterem o impacto que causavam na humanidade. Ali estavam reunidos: Sorriso, Tristeza, Angústia, Miséria, Amor e Mentira. O objetivo daquele encontro era que cada um descrevesse sua verdadeira função, o tipo de pessoa em quem preferia habitar e os frutos — bons ou maus — que semeavam no mundo.

A Tristeza, de olhar profundo e manto cinzento, foi a primeira a tomar a palavra: "Eu sou a Tristeza. Meu lar preferido é no peito das pessoas falsas, arrogantes e orgulhosas. Quando elas caem de suas próprias máscaras, sou eu quem entra para mostrar a realidade. Causando dor, posso parecer má, mas o meu lado bom é que sirvo como um freio: desço o homem do seu salto de soberba e o ensino a ser humano."

Em seguida, o Sorriso, com um brilho radiante que iluminava a sala, manifestou-se: "Eu sou o Sorriso. Amo morar nos rostos de gente humilde, simples e de alma leve. A minha função é renovar a esperança e aproximar as pessoas. O meu bem é que posso curar o dia de alguém com um único gesto; mas o meu lado perigoso é que, quando mal usado, sirvo de disfarce para quem quer esconder a maldade."

A Angústia, de mãos agitadas e olhar inquieto, deu o seu depoimento: "Eu sou a Angústia. Ocupo a mente daquele que vive preso ao passado ou desesperado pelo futuro, que não consegue desacelerar os pensamentos. Trago o aperto no peito e o sufoco na alma. O meu mal é fazer a vida parecer um fardo insuportável; mas meu único bem é alertar a pessoa de que algo dentro dela precisa mudar urgentemente."

A Miséria, vestida de panos rasgados e com passos pesados, falou com voz rouca: "Eu sou a Miséria. Não me refiro apenas à falta de pão, mas à pobreza de espírito. Habito naqueles que são gananciosos, egoístas e que nunca se satisfazem com o que têm. O meu mal é destruir a generosidade e secar a empatia; mas o meu lado bom é revelar quem realmente estende a mão quando tudo o mais desaparece."

A Mentira, esguia, elegante e de voz aveludada, sorriu com ironia: "Eu sou a Mentira. Caminho ao lado de quem tem medo da verdade e prefere atalhos fáceis. O meu lado bom — se é que posso dizer assim — é que trago um alívio momentâneo e iludo os fracos; mas o meu mal devastador é que cobro um preço altíssimo no final, destruindo a confiança e arruinando vidas."

Por fim, o Amor, envolto em uma luz suave e acolhedora, levantou-se e todos fizeram silêncio: "Eu sou o Amor. Habito em corações dispostos a se doar sem esperar nada em troca. A minha função é unir o que está quebrado e dar sentido à existência humana. O meu bem é supremo: sou a única força capaz de transformar e curar todas as feridas que vocês deixam. O meu único 'mal' é que torno o ser humano vulnerável, pois quem ama aceita o risco de se ferir."

A Mentira tentou zombar, mas o Amor olhou nos olhos de cada um e concluiu: "Poderemos passar éons nesta mesa, mas no final das contas, o homem sempre terá a escolha: saber qual de nós deixará governar a sua história."

Todas as forças calaram-se, sabendo que a decisão final pertenceria para sempre ao coração de cada ser humano.

Nossas emoções e atitudes moldam a nossa jornada. Cabe a cada um decidir se alimentará a verdade, o amor e a humildade, ou se será refém da falsidade, da arrogância e do vazio.

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